A Experiência

“Pés? Não tinha outra parte mais interessante para gostar não?”

Então vamos lá. Tirem seus sapatos e sandálias, ponham seus pés para cima porque começaremos nosso prazeroso bate-papo.

Falar sobre pés. Esta é a proposta. Constantemente algumas pessoas me perguntam: “mas como é que você tem tantas coisas para falar sobre pés?”, ou, “como é que você conseguiu escrever um livro inteiro só a respeito dos pés?”. Típicas questões daqueles que ainda não tiveram a oportunidade de vivenciar aquilo que chamo de “A Experiência”, momento no qual há uma convergência de nossa energia vital para um estado sexual muito mais elevado do que o simples vai-e-vem do sexo puramente carnal. Este último, por sua vez, deprime-nos, ao invés de nos conduzir ao estado sublime de orgasmo espiritual. É claro que, respeitando a humildade ou imaturidade sexual daqueles que não entendem a essência fetichista, respondo sempre da mesma maneira: “Descubra por si só”. E hoje, em função de situações como esta, resolvi falar sobre “A Experiência”, sob a ótica podoerótica, é claro.

Existem pessoas que simplesmente repudiam seus pés. Elas associam seus pés ao que é imundo, grosseiro e esteticamente desprestigiado, renegando uma parte de seu próprio corpo! Segmentam o corpo em meras “partes”, como se ele não fosse um Todo sexual. “Pés? Não tinha outra parte mais interessante para gostar não?” – é a pergunta que todo e qualquer podólatra já enfrentou. Pessoas que fazem este tipo de observação ainda não se deram conta de que nosso corpo é Uno e devem tomar consciência plena desta unidade.

A fase em que eu sentia raiva desses infelizes comentários passou, transformando aquele meu estado de intolerância em um simples sentimento de pena pela pessoa preconceituosa. Desprivilegiados são aqueles que ainda não desfrutaram do infinito potencial de maravilhas que seus pés, sendo homens ou mulheres, podem lhes proporcionar. Se eles soubessem, pelo menos, que graças à evolução da estrutura física de nossos pés, somos os únicos seres capazes de fazer amor frente a frente com o ser amado, ou ainda, que é o andar sensual feminino, dado pela estrutura conjunta dos seus pés, pernas e quadris, o que realmente seduz, consciente ou inconscientemente os homens… Suas opiniões quanto a veneração deste perfeito membro não seriam tão desmerecedoras.

Por outro lado, ao me deparar com mulheres que já desfrutaram da erogenidade de seus pés, percebo que não hesitam em assumir veementemente um acentuado declínio para as relações envolvendo-os plenamente. Sim, por meio da vivência podofetichista, elas podem dar os primeiros passos rumo à Experiência. Suplicando tácita ou extrovertidamente pela revivência das sensações proporcionadas pela Experiência, ou lampejos dela, exibem sua podoeroticidade, invocando olhares da enfeitiçada linhagem de homens com sensibilidade aguçada, os já conhecidos podólatras.

Mas, a Experiência que transforma a essência do orgasmo numa sensação divina de constante deleite espiritual.

Sim, os podólatras são os adoradores e “caçadores de pezinhos”, pezinhos estes delicadamente criados à imagem e semelhança das mais voluptuosas fantasias podoeróticas. E, como quaisquer outros fetichistas, os podólatras tornam-se guias, mestres que transcendem as barreiras da relação sexual como um fim em si mesma, transformando-a num meio para que os amantes encontrem o caminho da verdadeira Experiência. A Experiência que não acaba no gozo, simplesmente. Mas, a Experiência que transforma a essência do orgasmo numa sensação divina de constante deleite espiritual.

A partir do momento em que o indivíduo tomar consciência de sua própria sexualidade, encarando-a de maneira natural e desfrutando-a plenamente, derrubar-se-ão os rótulos hipócritas criados pelos falsos e preconceituosos moralismos, que hoje estão impregnados na mente de muitos de nós, culpando-nos de nossos atos prazerosos e impondo barreiras ao nosso crescimento como seres com corpo e espírito.

A cultura sexualmente repressiva nos tornou pobres, culpados por sentirmos tesão, seja por bundas, peitos, palmadas ou pés. E, em decorrência disso, muitos acabaram por se perder em meio ao turbilhão criado pela hipocrisia que os mutilou sexualmente. Desta forma, poucos são aqueles que atingem “A Experiência” propriamente dita. E sem a Consciência despertada pela Experiência, a vida se torna manca, sem um dos alicerces fundamentais, que é o sexo que transcende a si mesmo, como uma das facetas da felicidade e da iluminação.

Se você gosta de chulé, não tenha vergonha de pedir à sua amada que o cultive! Dedinhos na boca? Sinta cada um deles em seus lábios. Aproveite cada fluxo da libido. Una-se no presente com o ser amado e, junto dele, desfrute da Experiência. Mas nunca se deixe ludibriar pelos falsos moralistas. Caso contrário, acabará louco como eles, que institucionalizaram o fetichismo como perversão! Porém, em seus quartos escuros, são constantemente assombrados pelo seu próprio veneno, pois sabem que não podem fugir da manifestação da essência da vida, a sua própria sexualidade.

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