As redes sociais e a desmistificação do podofetichismo

Na imaculada e tenra adolescência, final dos anos 80 e começo dos 90, era muito difícil encontrar material fotográfico com lindos pezinhos femininos. Eram escassas as fontes de inspiração para dar fluidez às naturais energias da idade… Vêm-me à memória as esperançosas incursões nas revistas Playboy, Status e Sexy, num esforço para encontrar pelo menos uma cena que evidenciasse uma solinha em ponta, um calcanhar redondo e docemente aveludado, ou arcos se sobressaindo em sapatos de salto alto.

Naqueles tempos, raramente as buscas por pés femininos em primeiro plano eram bem-sucedidas, pois a adoração por eles ainda era um tabu a ser desmistificado em nossa cultura. Publicações e filmes especializados marginalizavam este especial gosto masculino, potencializando até crises existenciais nos pobres podofetichistas da época. Na ausência de inspirações reais ou virtuais, restava apenas a construção de enredos fantasiosos envolvendo o fetiche, que frutificavam com uma boa dose de criatividade em múltiplas e estafantes jornadas quiromaníacas.

A condução ao clímax partia de um diálogo imaginário com a beldade homenageada, tendo seus pés inventados à perfeição dos desejos mais profundos. A moça olhava, provocava, tirava os mornos e úmidos sapatinhos, aproximando seus pés das faces ávidas por prazer: “sente o cheiro dos meus pés?”, “limpa minhas solas?”, ou a clássica cena em que a curiosa interlocutora perguntava: “você quer fazer isso cheirando meu pé?”. É claro que a expressão “fazer isso” dispensa maiores explicações.

Por outro lado, quando se encontravam fotografias que traziam pezinhos de modo mais explícito, os tesouros eram guardados a sete chaves, como se nada mais importasse senão a garantia da satisfação perene pelo devido uso daquelas imagens. A simples e estática cena povoaria dezenas e mais dezenas de histórias mentalizadas com roteiros mirabolantes, através das quais ora se olhava para o pé cultuado, ora para o rosto e ora para a expressão da protagonista da vez. Expressão que ganhava vida a partir das empreitadas solitárias, aliada aos sinuosos movimentos imaginados para aqueles pezinhos e solas flexíveis.

Nessas buscas, lembro-me também de um episódio marcante. Meados dos anos noventa. Um simples caderno da Tilibra sobre a carteira do meu colega de faculdade me desconcertou. Fiquei extasiado com aquela foto de capa. Meu amigo não entendeu nada. Certamente ele não era um fetichista e provavelmente pensou que me faltavam parafusos. Afinal, quem ficaria tão ansioso com a fotografia de uma capa de caderno universitário?

A fotografia trazia uma modelo calçada com uma Melissa transparente, daquelas de saltinho. O pé se revelava inteiramente em meio ao plástico que, em meus pensamentos, misturava suor e o característico tutti-frutti da sandália. Sem pensar duas vezes, pedi o caderno emprestado, larguei a aula e corri para casa para digitalizar aquela fotografia. Esforços físicos e mentais transpassaram o limite da sanidade, no usufruto da cena em que a garota exibia seus pezinhos arqueados dentro daquela Melissa. Dá para se ter ideia do quanto era difícil satisfazer desejos fetichistas naqueles tempos?

Não há dúvidas de que hoje em dia, graças à Internet, não existe qualquer obstáculo para se encontrar extenso material sobre o fetichismo dos pés femininos. Diga-se de passagem, uma das grandes vantagens de se cultuar os pezinhos de uma mulher é que, em grande parte das vezes, não é preciso ultrapassar a linha que divide a pura sensualidade da vulgaridade pornográfica. Algo que facilita a divulgação do material relativo ao tema na rede.

O YouTube que, como toda rede social, tem lá suas restrições quando se trata de algo muito explícito, é uma sensacional fonte de publicações acerca do assunto que até então só a criatividade poderia vislumbrar.  Cenas outrora exclusivamente pensadas, como aquelas expressões femininas, seus intencionais e provocantes movimentos de pés, dedos, calcanhares e sapatos em pêndulo, agora se tornam virtualmente reais nos vídeos compartilhados.

O Instagram também é bastante interessante para os podofetichistas. Quantas mulheres exibindo o gosto pela adoração de seus pés! Fotografias e vídeos para todas as qualidades de desejos. Algo que há poucos anos era, de uma maneira geral, considerado pervertido, sexualmente inapropriado e até doentio. Hoje, porém, é totalmente aceito em comunidades específicas, sem nenhuma sombra do incabível preconceito.

Como não poderia ser diferente, no Facebook existem milhares de comunidades dedicadas ao podofetichismo, pelas quais as fotografias mais sensuais vertem digitalmente em quantidade e velocidade tais que se torna impossível, até mesmo, acompanhar todas as novidades.

Por fim, sem esgotar a infinidade de outras ferramentas online, publicações no Tumblr, Flickr e outras plataformas dedicadas aos fotoblogs, permitem que os podossimpatizantes, homens ou mulheres, desfrutem de total liberdade para dar vazão aos seus mais arraigados desejos e com ampla possibilidade de interação.

Permear o meio da podolatria virtual é muito fácil: basta entrar nas suas redes favoritas e procurar pelas #hashtags mais relevantes sobre o tema, tais como:

#pés, #pezinhos, #descalça, #feet, #foot, #toering, #toes, #barefoot, #sexyfeet, #chulé, #chulezinho, #selfiefoot, #sexytoes, #fetichepés, #footfetish, #solas, #soles, #sexysoles, #cutesoles, #saltoalto e assim por diante.

Além do português e do inglês, hashtags em outros idiomas também podem ajudar a encontrar muitas novidades. E não se enganem, estimados leitores: as brasileiras estão com tudo, provando que a deliciosa brincadeira da sedução por meio de seus pezinhos veio definitivamente para ficar! Os fãs agradecem.

Nesses meus quase quarenta anos de vida em que meu fetichismo percorreu estados de aceitação social diametralmente opostos, acredito que a sociedade chegou ao merecido ponto de afrouxamento de suas amarras seculares. Inacreditável é ver o desprendimento dessas deusas da sensualidade fetichista expondo seus belos pezinhos, limpos ou sujos, cheirosos ou adoravelmente suados, e seus acessórios ousados para o total deleite dos apaixonados podólatras. A libertação que nossos antepassados nunca nem mesmo sonharam está agora disponível a todos, à distância de apenas alguns cliques.

10 comentários em As redes sociais e a desmistificação do podofetichismo

  • DanielleTimaSibin  diz:

    G. N. Moretti DanielleTimaSibin Pode sim 😉

  • G. N. Moretti  diz:

    DanielleTimaSibin Sua querida!

  • G. N. Moretti  diz:

    DanielleTimaSibin Dani, posso fazer uma publicação em sua homenagem, aqui na FEET MAG, com suas fotos e vídeos? Beijos mil

  • DanielleTimaSibin  diz:

    Sou podo sim, adoro que curtam meus pés … fiz minha monografia da faculdade sobre o tema. Todos amigos e familiares próximos sabem.
    Tenho muitas fotos dos meus pés no falecido http://www.fotolog.com/pesdadants eu mesma sempre fiz 90% das minhas fotos mas tem um tempo que não faço mais. E tb tenho vários vídeos no meu canal no YouTube só procurar por pesdadants que vc encontra .

  • DanielleTimaSibin  diz:

    Com ctz vc não é um podo desses tipos … É sempre educado e nunca ofensivo . É uma pessoa super querida, aliás quero reencontrar o casal hein para jogarmos conversa fora.
    bjks

  • G. N. Moretti  diz:

    Carlos2041 É verdade, Carlos! Em minhas pesquisas, lá pelos idos de 1999, quando publiquei o livro Tesão por Pés – A Realidade de um Gosto Excêntrico, encontrei muitas histórias de artistas apaixonados por pés. Não só artistas, mas intelectuais e outras figuras eminentes… 
    Obrigado pela sua participação e volte sempre! Agradeço também pelo compartilhamento dos pezinhos da Britney. Abraço!

  • G. N. Moretti  diz:

    DanielleTimaSibin Querida Dani, olá! Como sempre, é uma honra e um prestígio a sua participação. Muito obrigado pelos comentários. De fato, percebo muito esse assédio do qual se refere. Alguns podos passam dos limites e não têm a mínima noção de como se portar na rede. Não deve ser fácil para a mulherada. De minha parte, sempre tentei não ser inconveniente com ninguém, como você bem me conhece. A minha participação nas redes é geralmente voltada para elogios e nada mais.
    Volte sempre e muito obrigado mais uma vez!

  • Carlos2041  diz:

    Muitos artistas já se declararam “podólatras”, como é o caso de Quentin Tarantino. Não há uma produçao dirigida por ele em que não apareça cenas, curtas ou longas, de pés femininos!
    A Britney Spears também é uma gracinha quando fala de seus próprios pezinhos: http://youtu.be/Y1eeQhyjM_k e http://youtu.be/GjQkkuNRn2E. Também há o caso da brasileira Maria Cândida que mostrou seu pé ao vivo a pedido de um fã. Veja: http://youtu.be/V2HVyyd-M3A. Bonito pé! E os da Britney são umas fofurinhas…. Dá vontade de morder, beijar, etc., etc….

  • Carlos2041  diz:

    DanielleTimaSibin 
    Imagino como deve ser um podo chato! Aliás, há muita gente chata em todos os setores da sociedade em que vivemos. Eu não li o artigo ainda, mas seu post me chamou a atenção!

    No seu comentário você fala sobre fotos. Por acaso já fez de seus pezinhos modelo para sessão de fotografia? Algumas amigas já enviaram para mim selfies dos pés, mas sai cada coisa horrorosa. Mas é compreensível, pois tirar foto do próprio pé tem que ser meio contorcionista!!!
    Só uma perguntinha, se não for inconveniente, você é podólatra também? A Britney Spears já se declarou que gosta de pés, e disse num vídeo postado no YouTube, que adoraria que um cara beijasse seus pés. Aqui vai o link: http://www.youtube.com/watch?v=QgjBgem9iUw.
    Beijos!!!!

  • DanielleTimaSibin  diz:

    Belo artigo … com ctz a internet facilitou muito a vida de quem tem algum fetiche mas por um lado surgem os podos chatos rsrsrs que nos fazem desanimar … pois são tantas “cobranças” desnecessárias e que acabam tirando o nosso prazer em também fazer as fotos.
    Bjks

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