De vilão a afrodisíaco: a magia do chulé feminino

“Chulé? Você é louco?”

Qual podólatra nunca foi assim indagado ao expressar uma de suas maiores paixões ligadas ao pé feminino?

Pois é, para aqueles e aquelas não familiarizados com a podolatria, pode parecer bastante estranho que o cheiro dos pezinhos suados desperte tanto desejo no homem podofetichista. A predileção pelo chulé talvez tenha sido um dos aspectos mais difíceis de se explicar no processo de aceitação da podolatria. Foi preciso muita coragem dos podólatras para fazer com que esta característica fosse compreendida e explorada pelas mulheres, sobretudo pelas iniciantes na prática.

Mas por que o chulé foi tradicionalmente tão infamado e evitado em nossa cultura?

É muito provável que este nobre aroma tenha sido falsamente confundido com uma falta de asseio ou cuidado da mulher consigo mesma. Todos nós crescemos acreditando que suores e odores corporais são sinais de sujeira ou desleixo. É claro que a mulher não deseja se parecer suja para o homem ou para qualquer pessoa com a qual se relaciona. No seu entendimento, isto seria um atentado contra sua vaidade, comprometendo sua beleza como um todo. Afinal, ela se cuida tanto, como poderia ter pés suados e com aquele odor característico? Sendo assim, o cheiro do pé, que é algo tão íntimo, foi culturalmente repudiado e ocultado por grande parte das mulheres que buscam estar sempre belas diante de seus admiradores.

Pois foi um grande equívoco acreditar que o chulé representa falta de higiene ou um fator de depreciação da imagem de uma mulher. Pelo menos no seleto universo da podolatria. Muito pelo contrário: é justamente o fato de ser tão íntimo e tão subversivo em termos culturais e estéticos que o chulé esteja entre os melhores atributos de um belo par de pés femininos, sobretudo de uma mulher que se propõe a incentivar uma intensa relação baseada na podolatria.

A delicadeza dos pezinhos em contraposição aos odores formados ao longo de um dia naquele já desgastado par de sapatos, sandálias, sapatilhas, tênis e/ou meias gera um contraste muito atraente, lúbrico, que remete aos instintos luxuriosos mais primitivos do homem. Para o podólatra, o cheiro de um lindo pezinho suado é a assinatura de sua dona; revela sua natureza de forma mais crua, mais rústica e mais verdadeira. É como quando o homem se fazia valer do seu apurado olfato como um de seus instrumentos de sobrevivência e perpetuação da espécie. Substâncias muito incisivas se desprendem dos pés de sua pretendente e atiçam sua virilidade, resgatando nele o sentido primordial do faro; maior remanescente dos ancestrais códigos da sexualidade humana.

De vilão a afrodisíaco

A boa notícia é que hoje em dia o chulé feminino deixou de ser um vilão e passou a ser amplamente venerado como um autêntico agente de prazer e, claro, também muito explorado entre quatro paredes. Porém, a inversão do repúdio para o culto do chulé, como um fator de incremento na sexualidade dos casais, ocorreu há muito pouco tempo. O que antes era considerado algo inapropriado, especialmente sob o ponto de vista das mulheres, hoje foi elevado à categoria de um pungente tempero quando a adepta da podolatria o incorpora em sua rotina de sedução do homem apaixonado pelos seus pés. A reboque vêm um enorme número de apreciadores desse cheiro peculiar, sem mais quaisquer temor para ocultar este prazer, como ocorria até pouco tempo atrás devido ao antigo fardo da repressão que carregava.

Fantasias

O podólatra abusa de suas fantasias envolvendo o aroma dos pezinhos e, assim, amplia a qualidade da relação com sua amada. Aquela essência que se revela, de repente, sob seu olfato é como um “presente-surpresa” que estava guardado a sete chaves. Cheirar os pés dela demonstra sua total entrega, sem receios, sem pudores. Ela também fica despida de toda a sua intimidade, ofertando seu néctar aromático mais profundo e secreto.

Tirar um par de escarpins ou sapatilhas que, como súditos, abraçaram e protegeram aqueles amados pezinhos o dia inteiro, aspirando e degustando de imediato os aromas exalados não apenas do interior desses calçados, mas principalmente das próprias solas que os cultivaram, é uma das principais cenas que povoam a mente desses homens especiais. Cheirar os pés que se exibem para fora dos lençóis de uma dama que jaz em descanso sobre sua cama após uma longa jornada de trabalho ou logo depois de uma balada cheia de dança e suor, também se revela como um dos grandes desejos podofetichistas.

Independentemente da imaginação de cada podólatra, o fato de se oportunizar experiências nas quais o homem cheira o chulé de sua mulher é o bastante para apimentar a relação em que os pés figuram como protagonistas na busca da plena satisfação de ambos. Ela, por ter um homem dedicado a cultuar algo muito íntimo e subversivo. Ele, por desfrutar das notas exclusivas que se desprendem do seu objeto de fetiche, como que perfumes rebeldes que atiçam seus instintos mais selvagens.

Tipos de chulé

Quando se fala em chulé, não se fala num único tipo de odor, mas de várias emanações que dependem de muitos fatores. Dentre eles, os mais óbvios vão desde o tipo do calçado e/ou das meias utilizadas, seu design (aberto, fechado), materiais dos quais são compostos (sintéticos, naturais), tempo de uso diário e idade de uso. Há que se incluir, também, alguns aspectos relacionados à própria dona dos pezinhos, a exemplo de seu ambiente, da sua alimentação, dos ciclos hormonais, dos níveis de suor e de outras particularidades de sua fisiologia. Tudo isso combinado criará diferentes meios para a formação do cheiro afrodisíaco.

Existem homens que preferem aromas suaves, discretos e refinados, assim como outros que preferem cheiros fortes, agressivos e robustos. Cada mulher tem a sua marca. A sua impressão digital. O cheiro do seu pé. Um buquê pronto para inflamar olfatos mais do que excêntricos.

Diante de tudo isso, o que vale é descobrir se o casal que pratica a podolatria está atento ao potencial do chulé como mais um componente para a sua realização. A mulher que detém a sabedoria para identificar esta capacidade e faz uso dela está infinitamente contribuindo para uma relação bem-sucedida com um podólatra. Particularmente, acredito que não haja maior deleite na podolatria do que o desfrute do natural perfume de lindos pezinhos que escorregam sorrateiramente de sapatilhas surradas pelo uso diário.

GOSTOU DESTE ARTIGO? 
Se você gostou deste artigo, eu ficaria muito feliz com seus comentários! Por favor, tire um tempo para contribuir com seu conhecimento sobre a podolatria e para divulgar meu site. Obrigado por chegar até aqui!

2 comentários em De vilão a afrodisíaco: a magia do chulé feminino

  • Ivan  diz:

    Excelente, maravilhoso e completo texto. Muito bem escrito diga-se de passagem. Parabéns!!!

    • G. MORETTI  diz:

      Muito obrigado, Ivan!

Deixe um comentário

Por favor, preencha o formulário abaixo

Obrigado por entrar em contato. Será um prazer respondê-lo.

WordPress spam blocked by CleanTalk.