Enquanto ela dorme (ou finge dormir?)

Para um podólatra não há melhor oportunidade no mundo do que quando sua parceira resolve dormir logo após tirar os sapatos, exausta, sem banho, sem nada, in natura. Impregnada pela selvagem e ardente essência da labuta diária, dos compromissos, encontros, almoços, trabalho, conversas, metas e passos. Rotinas que cultivam entre os pés e o couro do sapato um dos grandes desejos dos amantes dos pés femininos; aquele aroma, aquela textura e o calor que os conduzem ao êxtase que só a plenitude feminina é capaz de realizar. A amada lhe oferece a embriaguez de seu sono para que ele desfrute da realização dos seus sonhos. Ah, como beleza da mulher encanta!

Aqueles sapatos ali maltratados e ainda mornos ao pé da cama, oferecendo-se indefesos à violação, como escravos que serviram sua senhora ao longo de sua jornada, exalam essências e gostos que são apenas uma amostra da fonte que os originaram. Servem-se como uma nobre degustação do que está por vir.

O podólatra sorrateiro não permite que uma chance dessas se perca por entre os lençóis e as horas da madrugada. Na verdade, se ele se esquivar neste momento, que peça expulsão do privilegiado clube de adoradores dos pés femininos. Seu pedido será irrevogavelmente deferido pela diretoria.

Depois da devida atenção àquele par abandonado sem dó nem piedade, os pezinhos ainda úmidos, indefesos e provocantes que escapam ingenuamente da coberta convidam o fetichista à sua viagem de contemplação quase transcendental, entre uma aspiração e outra, enquanto sua amada perambula pelos divinos planos astrais. Ou talvez ela esteja ainda neste mesmo plano, abusando passiva e secretamente de seu sagaz abusador. Ao fingir dormir, quem sabe ela esteja usufruindo dos carinhos dele, que cuida para não acordá-la com os vapores de sua respiração? Vai que ela não o está usando como um portal de estímulos para logo adentrar ao mundo de Morfeu, tão só para alimentar os sonhos que ele traz?

Explorar com beijos aqueles pezinhos ainda quentes e, com sorte, empoeirados, escurecidos do sapato desgastado, revela o contraste estonteante entre a boca e a pele aveludada das solas. Abre um caminho que traslada o podólatra ao pináculo dos deuses, num contexto de contravenção que aquece ainda mais o cenário de júbilo protagonizado por ele. Como um meliante, expõe-se ao perigo de ser apanhado numa situação de delito flagrante, no qual se sujeitará às penalizações mais incisivas da parte dela. Quando menos se espera e ocultando sua satisfação com tudo aquilo, grita ela de repente:

“Cheirando de novo meu pé, seu cachorrinho? Você gosta mesmo do meu chulé quentinho, hein? Vai, termina logo isso aí!”

E você, seja uma Feet ou um podólatra, como se sente ou age em situações semelhantes? Compartilhe suas ideias nos comentários abaixo!

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