Indócil imaginário dos podólatras

Podólatras, em geral, veem-se num esforço homérico para tentar desvendar a mente feminina em determinadas situações. Eles querem adivinhar tudo o que se passa no poético universo da mulher. São inúmeras as vezes em que se flagram na busca de respostas às suas indagações ou suposições, especialmente quando existe um possível jogo de sedução entre olhares e pezinhos provocantes.

São tempestades de ideias que podem ser deflagradas em qualquer lugar, a qualquer momento. Na rua, no shopping, no cinema, no elevador, na praia, na balada. Basta que se deparem com mulheres e seus lindos pezinhos, belos calçados, sinuosas passadas e toda a sorte de sensualidade que as cerca, conscientes ou não de seus podopredicados.

Questões e dúvidas afloram no homem fetichista, acompanhadas de um frio na barriga que nasce da ânsia de obter respostas que atendam aos seus mais ardentes anseios. É claro que, normalmente, elas vêm sob a forma de fantasias, quando o homem se encontra sozinho, entre quatro paredes, rememorando cenas que alimentam sua infalível jornada onanística. Conclusões, porém, cultivadas e fertilizadas no criativo imaginário masculino, que são conduzidas ao sabor de suas crenças e prazeres, não necessariamente refletindo as verdadeiras intenções femininas daquele momento. Intenções que podem ser ou não ser voltadas à provocação do homem.

A mulher que desperta pensamentos lascivos pode estar conscientemente propagando ondas de sensualidade de modo a causar turbilhões na mente do homem, certa de que seu alvo está mentalmente sequestrado pelos seus encantos. Ou não. Neste caso, ela pode simplesmente estar comprando pão na padaria, com suas sandalinhas havaianas, sem qualquer intuito de causar estardalhaço nos instintos de seus admiradores. Aliás, esta é uma corrente bastante defendida pelas feministas; o que é bom, pois os homens tendem a interpretar tudo errado por conta de seus desejos. De qualquer modo, diante das reais possibilidades, o podólatra se defronta com os recorrentes conflitos do “será?” ou “não será?”, que o mobilizam rumo a uma escalada intelectual na busca das possíveis soluções para suas questões.

Essa solitária empreitada do podólatra se passa em questão de segundos ou minutos, de acordo com o desenrolar da situação em que pés, calçados e a admiração podofetichista se entrelaçam.

Conheceria ela a existência de homens que se encantam com seus pés? Saberia ela que sua sapatilha, morna e escorregadia, é uma potencial fonte de sensualidade? Ao chegar na intimidade do seu lar, percebendo o calor que emana as essências dos pezinhos ao se descalçar, teria ciência de que esses atributos poderiam desvairar um homem? Saberia que o salto alto sobre os quais se sustenta enfatiza o arco de seus pés, sendo ele uma das partes mais atraentes para alguns? Que se houvesse oportunidade e consentimento, explícito ou velado, homens se estenderiam sob eles para apreciar suas virtudes? Teria em mente os prazeres latentes que lhe podem ser desacorrentados por um podólatra durante o desfrute e estímulo de seus pés? E o que ela pensaria se o podólatra fizesse uma proposta?

Sim, esses e muitos outros questionamentos são muito comuns para os podofetichistas. E eles perduram até que a libido seja aliviada, tanto por meio da real concretização das fantasias, como também apenas pelo gozo proveniente dos seus íntimos enredos cerebrais.

Você, mulher simpatizante da podolatria, o que acha desses sentimentos e dúvidas dos adoradores de pés femininos?

E você, podólatra, também se identifica como escravo de inquietações semelhantes?

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